sexta-feira, 10 de maio de 2013

ESPAÇO CRIATIVO


O que Freud percebeu/escreveu era tão visionário que ele esperou o início do século XX para publicar seu primeiro livro: "Análise dos Sonhos", primeiro e último livro que define a metapsicologia (Segundo Zeferino Rocha, citando Freud), os demais foram para explicar na prática a sua gênese. Depois veio Lacan e atualizou a metapsicologia pós as duas grandes guerras mundiais (upgrade). Sempre trabalhando em pro de uma classe dominante, cujo inconsciente passa pelo desejo “senhor/servo”. Seremos sempre subjugados pelo grande Outro... Castração em nome do poder... Medo da morte.... Nome do Pai.

É sabido que depois do advento popular das “tecnologias da inteligência” esses conceitos psicanalíticos de "castração" não se sustentam mais nesse novo século. Simplesmente porque foi diluída a fronteira entre o público e o privado, sendo o “privado” justamente o espaço onde elas se sustentavam: privacidade do inconsciente revelado apenas ao e pelo analista. O campo “privado” que está posto, tão imortalizado pelo poder, não existe mais. A partir de um perfil no “facebook” é possível analisar a personalidade do usuário pelo o que posta e compartilha. Não há mais paredes que sustentem o privado de uma análise e do próprio analista. 

Quanto à questão do “viver criativo”, ela não cabe em psicanálise. Sabemos que Winnicott nunca foi considerado como psicanalista justamente por estimular um conceito que bate de frente com o conceito de “castração”. Mas devido às circunstâncias contemporânea os conceitos de Winnicott foram resgatados, a meu ver como única forma dos psicanalistas estabelecerem uma linguagem com “autistas” e “psicóticos”, duas categorias fracassadas para a psicanálise pelo não estabelecimento da estrutura edipiana. Exemplo: Centro de Pesquisa em Psicanálise e Linguagem – CPPL, instituto especializado em tratamentos com autistas e psicóticos, cuja base de aplicação e estudos é Winnicott. Mas o mercado exigiu que a psicanálise atuasse nessas categorias uma vez que passou a existir uma grande produção delas na classe burguesa.

Então quer dizer que para a “neurose” teremos a castração enquanto que para os “anti-edipianos” espaços criativos? Analiticamente falando, sim. Para isso é preciso enxergar o modelo social em que nos encontramos e perceber que a psicanálise trabalha para as estruturas dessa sociedade baseada no poder. Então Freud e Lacan não dão mais uma vez que o poder foi diluído pelas tecnologias da informação. Pergunto então: o que seria o “espaço criativo” para a neurose? Com Winnicott, sim, faremos alguma coisa para o nosso século uma vez que o “espaço criativo” não está posto como estrutura de poder. Principalmente agora que as fronteiras entre público e privado se diluíram e a neurose está entregue aos “espaços criativos” invadidos cotidianamente pela circulação das tecnologias. A realidade toda se tornou um grande “espaço criativo” deslocando o espaço clínico de seu ponto fixo, fazendo-nos repensar a psicoterapia, seus conceitos e espaços.

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