terça-feira, 14 de maio de 2013

O PESQUISADOR

Diário de Pernambuco / “Viver” 26-10-2002

Atrás dos melhores textos universitários

Centro do Recife abriga boa diversidade de livrarias para público que procura produção
acadêmica

Tatiana Meira
Da equipe do DIARIO


  Os livros universitários - produto de teses ou dissertações escritas nas instituições de ensino superior ou preparados objetivando quem nelas estuda ou ensina - não ocupam a posição principal nas estantes das livrarias. Alguns espaços no Recife, porém, servem como alternativas para encontrar boas leituras acadêmicas, oferecendo desde obras introdutórias ou básicas até outras mais aprofundadas e para os que buscam aperfeiçoamento em um determinado assunto. 

 Um dos endereços mais conhecidos nesse sentido é a Poty, representante da Cortez Editora, do Rio Grande do Norte, que opera com este nome desde 1998. Fornecendo livros para estudantes e professores e também atendendo a bibliotecas, a livraria conta com mais de 350 mil títulos, sendo a maioria no campo das Ciências Humanas.

 Entre os mais procurados estão livros como Convite à Filosofia, de Marilena Chauí, da editora Ática e Metafísica, de Aristóteles, traduzido por Giovanni Reale e publicado pela Edições Loyola. "Tanto bibliotecas quanto professores são nossos maiores consumidores. Eles nos indicam para os estudantes", explica o gerente da Poty, Maxwell Xavier. A loja atua com três estantes contendo livros importados de Portugal.

Na Vozes, na rua do Príncipe, além de Portugal, parte das publicações é originária do Fondo de Cultura, do México e da Espanha. "Nosso público preferencial são os professores", diz Zeli Mascarello, gerente da loja da Vozes. Ela adianta que são lançados até 10 títulos por mês. O próximo lançamento será no dia 8 de novembro, do livro A Dádiva entre os Modernos - Discussão entre os Fundamentos e as Regras do Social, do professor Paulo Henrique Martins, da UFPE.


  Este roteiro de livrarias voltadas para publicações de 3º grau também deve incluir a Livraria Universidade, no Aeroporto Internacional dos Guararapes. A matriz fica em Brasília e a daqui funciona desde 1998. Filosofia, História e Sociologia são as áreas de conhecimento mais solicitadas. Quando as edições estão esgotadas, é possível encomendar os livros resultantes de teses universitárias.

 Na Livraria Recife, o proprietário, Laércio Gomes, foi construindo seu acervo aos poucos. Com 23 anos de experiência no ramo, ele hoje comercializa livros de 40 editoras, detendo quase 15 mil títulos. "Na loja, a procura maior é pelo campo de Humanas", relata ele, que se mantém no mesmo local há dois anos.


  Na filial da editora Ática, na av. Visconde de Suassuna, o leitor individual até pode encontrar alguns dos 700 títulos existentes em catálogo. Mas o foco principal é a venda direta para livrarias, de quem são parceiros. As principais áreas de atuação da Ática, que hoje é controlado por capital nacional e francês, através do grupo Vivendi, são Educação e Pedagogia, Letras e Linguística e Comunicação. São eles que publicam, por exemplo, Arte e Cultura, de Clement Greenberg e A Linguagem do Corpo, de Pierre Guiraud. Mas este ano, no entanto, só lançaram dois livros neste campo: o Dicionário de Uso do Português, de Alfredo Borba, e Alfabetto, uma biografia onde Frei Betto relata sua vida escolar.


 A livraria Saraiva, na 7 de Setembro, é tradicional nas publicações de livros jurídicos, não só no Recife, mas em todo o Brasil. Do seu total de vendas, cerca de 35% a 40% são de livros universitários, nos 31 pontos espalhados pelo País. A Saraiva existe desde 1914 e é frequentada, principalmente, por estudantes de Direito, Administração e Psicologia.


INVESTIGAÇÃO - É o interesse pessoal que, muitas vezes, leva o estudante universitário a peregrinar pelas livrarias em busca de leituras específicas. É o caso de Irajá Neto, que cursa o 8º período de Psicologia na Facho, em Olinda. Ele sempre frequenta a Saraiva ou a Poty, e defende que deve partir do aluno esta vontade de encontrar novos livros e fontes de informação. "Se acho o tema que estava especulando, levo o livro para casa. Quando acabo de ler, dou outra pesquisada", detalha Irajá, que em sua última visita a uma livraria levou “Apocalípticos e Integrados”, de Umberto Eco.
Para o professor Jomard Muniz de Brito, o ideal para quem quer adquirir muitos livros é procurar as distribuidoras. "São eles que recebem os livros e repassam para as livrarias. Fica mais barato lá", acredita. Ele, que mora no Centro e só visita às livrarias do shopping quando vai ao cinema, tem descoberto em livrarias como a Poty, Saraiva, Imperatriz e Vozes, livros de editoras como as da UFMG e Edusp.



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