domingo, 20 de outubro de 2013

O QUE OS JOVENS ESPERAM DA SOCIEDADE

Sim, é verdade! Lembro-me bem o dia em que me disseram que eu teria que ser igual a eles, como uma espécie de herança que eu deveria herdar para dar continuidade as leis éticas, morais e religiosas da família. Uma herança filogenética, onde o passado está presente dando continuidade ao ideal medíocre do homem adulto, herdado por gerações a fio numa abertura para o controle científico que não desiste de nos coagir, estando por tanto a quatro gerações ou mais na frente dos adultos.

Pobres pais, ao herdarem suas heranças filogenéticas, achando que estariam preservando um tesouro familiar, não perceberam o jogo cientifico que os aprisionaram numa crise loba de juízo juvenil, onde o novo nunca existiu. Não quero dizer que a herança filogenética tenha que ser abolida em nome de um anarquismo promovedor de delinquência juvenil, mas uma transformação dos valores éticos, morais e religiosos numa adaptação ao novo e, consequentemente, a abertura para uma vida mais humana.

Ah! O novo... O jovem pai, ao ver-se no espelho viu um falo e percebeu que sua existência era se enfiar em buracos e ditar leis, sendo um ser-para-o-outro numa continuidade da moral edipiana familiar, não sabendo ele, pobre coitado, que a verdadeira moral zomba da mora! O falo penetra então no filho como um juiz que dita a lei que proíbe o incesto, numa formação ditadora da personalidade. No entanto, afirma-se ai uma identidade paterna superior à tudo e a todos, agarrada a uma herança filogenética onde a lei no futuro se voltará para a proibição do filho se tornar homem numa oposição ao novo, visto que esse novo botará em risco sua identidade narcísica de homem-juiz-macho na qual foi constituída em cima de uma relação social-pessoal e não inumana.

Pobres adolescentes vivem num passado-presente, onde o futuro é agora, devido as heranças filogenéticas imutáveis herdadas pelos seus pais, impedindo ambos de perceberem o avanço tecnológico da ciência que personalizou os objetos e consequentemente objetou os seres humanos num triunfo ao controle, provocando assim a busca desenfreada e sem escrúpulos pelos objetos e, quem for pego roubando os objetos dos outros, vai para uma instituição onde lá permanecem trancados sem nenhuma atividade que lhes façam se perceber como "o novo", que tem muita coisa para ensinar e aprender. Portanto as instituições são uma armadilha do sistema de controle cientifico sobre o ser inumano. Não quero dizer aqui que a ciência positivista não é válida, mas todo mundo sabe a sua preocupação em objetar o ser humano para se ter o controle da variável.

O jovem espera da sociedade uma compreensão de um novo mundo, onde a troca de ideias é fundamental para se equilibrar essa humanidade tecnologicamente desumanizada, ele quer mostrar suas potencialidades, mas o mundo adulto fecha as portas para isso, obrigando-o a ser como ele e o mundo, quer que o adolescente seja, uma espécie de robô sem defeito de fabricação.

O jovem tem que perceber que o pai imaginário, o ideal, não está fora de sua psique, mas dentro dela na introjeção do pai simbólico, que, por sua vez, tem seu referencial no pai real. Porém, essa busca desenfreada pelo objeto, ilude o adolescente a procurar o ideal de um pai fora de si numa inversão de valores éticos, morais e religiosos, e como ele nunca acha esse objeto valioso então viola as leis até que apareça alguém e lhe diga o que é certo e errado, cabendo ao juiz esse papel de objeto, mostrando, além das leis, que esse jovem é o futuro pai ideal. Tendo que olhar para si como a composição de um novo homem cujo filho é o pai, que deve ir em frente sem olhar para trás, numa visão periférica do presente que constitui o futuro de um homem ideal.
           
Fica claro à percepção ilusória da objetivação do ser humano em projeção do ideal, onde o jovem nota-se como o processo de um novo homem resgatado no passado pela a introjeção do pai simbólico, cujo pai real foi para ele um referencial de um ideal que precisa ser alcançado dentro de si mesmo e consequentemente vendo o pai real como um homem comum, com seus defeitos e limitações impostas pela herança filogenética. A aceitação do novo em si mesmo que implica a passagem para a vida adulta sem perder suas ideias, aceitando as limitações sociais de maneira criativa e original.


Porém, muitos jovens insistem em não crescer por não aceitarem perder suas ideias em nome de uma imposição do mundo adulto perante a aceitação das heranças filogenéticas, ou seja, só entra no mundo adulto quem jogar fora o novo em nome do velho, gerando a assim chamada síndrome de Peter Pan.

Nenhum comentário: