sexta-feira, 22 de novembro de 2013

SUELY ROLNIK – RETORNO AO CORPO-QUE-SABE

Eu presto atenção no que ela diz, mas ela não diz nada. Começa com a forma de organização tribal canibal tropical para falar de um “corpo-que sabe”. Depois apareceram os colonizadores e recalcaram esse “corpo-que-sabe” canibal, solvo os Tupinambás que refinaram seu corpo-que-sabe... De que forma eles fizeram isso, não ficou claro.

O sexo é uma repetição diferente para quem adquire o seu “corpo-que-sabe”. Todo conhecimento passa pela violência do objeto e do corpo sendo o canibalismo o extremo da paixão desses corpos onde o sangue e seus órgãos proporcionam o poder da clarividência. Nessa perspectiva ser sacrificado é um deleite por proporcionar conhecimento ao seu povo, daí a antropofagia.

A Suely sempre repete "Lígia Clark" como representação artística para ilustrar suas pesquisas acadêmicas, como peça chave da sua escola. Sua arte nada mais é do que trabalhar com dobras. Uma das linhas de pesquisa de Deleuze. Uma forma de pensar "deleuzianamente" sem citar Deleuze? Tudo bem, mas qual a relação dessa arte com o canibalismo?

Ela como psicanalista sempre procura justificar a "Esquizoanálise" como sendo uma teoria não "anti-psicanalista". Em vão porque a "Esquizoanálise" é por direito uma anti-psicanálise uma vez que trabalha em outra superfície de percepção corporal radicalmente diferente do corpo psicanalítico. A começar pela Esquizofrenia como possibilidade de cura Neurótica.

A Psicanálise se ocupa do corpo doente do Neurótico. Enquanto que a Esquizoanálise se ocupa do corpo saudável do Esquizofrênico.

Por fim ela acaba não dizendo nada uma vez que não linka nada com nada. Apenas cospe teoria e nada fica claro quando trás a interrogação no homem como ponto de intercessão entre o “corpo-que-sabe” e o “corpo-que-não-sabe”. Que interrogação é essa e como se atinge tal instante que está fora? Será esse o processo esquizofrênico por excelência?


Compreendo isso como uma tentativa de se aproximar do processo esquizofrênico e entender a Esquizoanálise. No entanto não passa de um movimento fracassado por não ter a capacidade de reconhecer, analisar e integrar à cultura o esquizofrênico saudável diante do seu nariz chato ao enxerga-lo como ameaça afetiva ao seu suposto “corpo-que-sabe”.

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