sábado, 23 de novembro de 2013

SUELY ROLNIK – RETORNO AO CORPO-QUE-SABE II

O processo esquizofrênico possui raciocínio, o que ele não possui é "tempo psicológico" que constitui a importância do pensamento ocidental de que a psicanálise se ocupa. Dai o princípio anti-psicanalista da Esquizoanálise.

Por muito pouco não faço parte da escola “Suely Rolnik”. No último instante fecharam as portas na minha cara. Hoje agradeço muito por isso uma vez que tenho a liberdade de não pertencer a escola alguma de Esquizoanálise, fazendo valer meu autodidatismo completamente anti-acadêmico na construção de uma autêntica "máquina de guerra" esquizofrênica.

Essa forma da Suely tentar preservar a Psicanálise na Esquizoanálise faz com que seu discurso se torne dissonante. Na minha concepção a Esquizoanálise rompe radicalmente com a Psicanálise, mas para compreendê-la é preciso ter a Psicanálise como ponto de partida, por isso não é fácil, dando margem para todo tipo de interpretação e aplicação da Esquizoanálise.

Tem algo que é bem simples para compreendermos a relação Freud/Lacan. O inconsciente freudiano é interpretado como um "teatro" das representações, daí Édipo e o tetro grego como estrutura de um "corpo-que-nada-sabe" quanto ao fato de Jocasta ser sua mãe... Já o inconsciente lacaniano é interpretado como uma "simulação" das representações publicitárias e programas de TV, daí os "estádios do espelho" constituindo a alienação como estrutura.

Lacan então atualiza a Psicanálise freudiana para o mundo das máquinas modernas. Nesse sentido um complementa o outro propagando a base Metapsicológica do "corpo-que-nada-sabe" porque é alienado pela manipulação virtual das antenas de TV e seu jogo de espelhos. O resto é teoria intelectualoide francesa pra encher linguiça.

O melhor crítico dessa alienação publicitária das antenas de TV é o francês Jean Baudrillard com o seu livro “Simulacros e Simulações”, que vejo como uma atualização da Esquizoanálise. É preciso pensar a manipulação da informação como criação de verdades ficcionais, é preciso pensar a Matrix e desconstruí-la esquizoanaliticamente falando.

O problema das escolas Esquizoanalistas é a forma como elas enxergam a esquizofrenia transformando-a num tabu. Como as escolas carregam o peso acadêmico da Psicanálise desde o ensino médio e fundamental, a esquizofrenia sempre será vista como doença. Os próprios autores foram indagados se haviam visto alguma vez o esquizofrênico de que falam no tal livro “O Anti-Édipo”, responderam então que nunca haviam visto um.

Pelo visto os Esquizoanalistas continuam não enxergando essa entidade produtiva e passaram, eles mesmos, a tentarem ser esquizofrênicos. Bela iniciativa para continuarem acreditando em algo que nunca existiu numa “fé cega, faca amolada”, porque ninguém se torna aquilo que não é.

A esquizofrenia é uma experiência autêntica de arrebatamento cósmico-transcendental iniciada na infância por um abuso sexual e desencadeada na adolescência como “linha de fuga” do Desejo. O que vai defini-lo como saudável, e por tanto produtivo, é a Afirmação do trauma infantil, a Afirmação do Desejo sexual iniciático dos mistérios da vida, enquanto que a Negação desse Desejo torna-o doente.

Será preciso falar da pedofilia que escandaliza o Catolicismo em detrimento de experiências místico-religiosas? Toda família nuclear é santa cujo seio eclode a esquizofrenia, eclode a loucura... Que graças à santa Psicanálise barra o Desejo, calando-o, negando-o, em nome da moral judaico-cristã de sua filosofia, poupando a sociedade da revolução do Desejo, poupando a “Santa Família” do escândalo da pedofilia e consequentemente do incesto.


Porém, vez ou outra na história da humanidade o Desejo é Afirmado e a revolução é posta em prática através de figuras como: Van Gogh, Nietzsche, Rimboud, Artaud, etc. Nem todos lembram onde começou tal Desejo, apenas o afirmam e seguem adiante com uma vontade inabalável de potencia revolucionária a criar e produzir sentido a realidade, onde não cabe questionar o seu começo, meio ou fim, para não correr o risco de caírem nas garras da repressão e quem sabe cortar uma orelha ou perder uma perna.

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