quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

CYBERPUNK

O testemunho e a comunicação dos acontecimentos sociais sempre foram às armas para se governar uma sociedade, afinal somos seres de conhecimentos. Quando Foucault analisa o Panóptico como uma estrutura concreta de vigilância do comportamento de uma sociedade e absorção de conhecimento sobre a mesma, logo imaginamos o mito da “caverna” de Platão caindo sobre nossas cabeças. Mas os governantes foram mais além da estrutura “real” e criaram uma “virtual” através das testemunhas. Inventaram então para isso “a polícia para vigiar e as ciências humanas para corrigir” (Foucault - A Verdade e as Formas Jurídicas), obtendo as informações e conhecimentos necessários para não apenas brincar de casinhas, mas modelar uma sociedade global.

Depois veio Freud com a sua teoria do desejo no momento exato em que as massas se estabeleciam como cultura global capitalista. A descoberta do inconsciente por Freud fez surgir uma máquina assassina chamada propaganda como ferramenta de invenção social uma vez que as massas não faziam ideia do que eram em relação a si mesmas e ao capital. Com o advento da TV a tecnologia da informação passou a interferir biologicamente na sociedade criando um inconsciente coletivo através da difusão de imagens televisivas como linguagem social. Uma espécie de “implosão nuclear” que nos sugou para dentro da TV (Baudrillard - Simulacros e Simulação).

Quando a guerra espacial ganha altitude e a tecnologia da comunicação domina o mundo, é chegada a hora de liberar as drogas e ver o que os “ratos de laboratórios” numa “Califórnia Dream” conseguiriam fazer com o lixo tecnológico da época. Então surge o “Vale do Cilício” e uma nova era tecnológica dava início com o manejo social das novas ferramentas comunicacionais criadas pelos garotos prodígios da Califórnia.... Para logo em seguida trabalhar para o controle do Estado e suas (des)informações.
A força da psicanálise nas estruturas do capitalismo através da psiquiatria discernindo quem é “louco” e quem é “normal” confere ao Estado o estatuto de "verdade" legando para os seus “contestadores” o estatuto de loucos. Dai se faz necessário que o próprio social, que criou essa nova tecnologia, se utilize dela para obter provas contra o Estado escapando ao estigma de “loucos” por contestar e mostrar a “verdade” simulada pelos meios de comunicação – os Cyberpunks!


Com os “Cyberpunks” fica claro a análise lacaniana acerca de um inconsciente social que “se estrutura tal qual a linguagem” das imagens de TV (complementando-o). Sendo preciso criar uma rede Pirata onde circule as verdadeiras informações. Entendem porque a Pirataria é um problema para o Estado? A revolução então se encontra na capacidade de decodificar os códigos impostos pelas informações que circulam nos meios de comunicação, enxergar a grande “simulação” e em seguida analisar seus “simulacros”, nesse sentido podemos ampliar nossa percepção e estreitar o abismo que separa Cultura de Natureza.

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