sábado, 21 de março de 2015

ZEN_SURFISMO

Comparo o surf a uma arte zen budista. Quando estamos em cima de uma prancha, sobre as águas, deslizando nas ondas, toda a dualidade terrestre do mundo dos homens desaparece. 

Entramos em comunhão com a natureza e somos abençoados com uma sensação de unidade com Deus, com o cosmo. 

Essa é a filosofia do surf. Muitos nem sabe o que estão buscando, uns querem apenas surfar, outros competir, mas todos sentem algo transcendental nessa prática meditativa.

Filmes sobre surf tentam nos passar essa filosofia como é caso de “Caçadores de Emoção” (Point Break), com Keanu Reeves e Patrick Swayze, onde um policial persegue um ladrão surfista que está em busca dessa transcendência e acredita encontrá-la surfando a maior onda da sua vida, cujo policial fica obcecado por essa figura do surfista em busca do mistério da existência humana.

Outro filme bacana que assisti recentemente e trata do mesmo tema é “Profissão Surfista” (Surfer, Dude), com Matthew McConaughey, onde ele é pago simplesmente para surfar, mas ai entra a preocupação de grana e ele é levado a participar de um “reality show” que envolve um “game” e “realidade virtual” como propagação do surf fora d’água para qualquer pessoa experimentar….. Isso tudo para ele poder sobreviver, porém ele se recusa a participar em função apenas de sentir as ondas na realidade e transcender a matéria.

Enfim, o que quero dizer é que existe uma espiritualidade no surf que está além das dualidades terrestres e suas competições por espaço social, patrocínio, propagandas e fama. Exatamente o que Rob Machado foi buscar depois das competições e Slater recentemente que rompeu com a grande Quicksilver e corre os campeonatos por pura diversão sem patrocínio no bico, será que o “careca” está tentando nos dizer alguma coisa?

Todos sabemos da sorte que é ser pago apenas para ser “free surf” e sair das pressões competitivas do mundo terrestre e suas confusões dualistas entre: “bem e mal”, “feminino e masculino”, “certo e errado”, “raspar ou não raspar o suvaco”, etc… Surf é isso: está além das dualidades terrestres e conflitos sociais em relação ao que você tem que ser ou deixar de ser para conseguir ser aceito pelas pessoas que fazem a sociedade.

Temos uma “Liga Mundial de Surf” que é super bacana de ver os melhores surfistas do mundo dando o melhor de si para promover um espetáculo e evolução do esporte para o mundo, mas o surf não pode ser definido pelas competições e seus organizadores.


Foi essa atitude que vimos Bob Martinez fazer em função da alma do surfista, enfrentando a organização mundial de surf profissional (ASP) na tentativa de nos mostrar que o surf não pode ser definido pelas competições, que o surf é algo transcendente e as competições são apenas jogos, diversão, e não a sua vida, sua vida é o surf e não as competições, dinheiro e fama.

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