domingo, 29 de janeiro de 2017

O_QUE_OS_JOVENS_ESPERAM_DA_SOCIEDADE


Sim, é verdade! Eu bem lembro o dia em que me disseram que eu teria que ser igual a eles, como uma espécie de herança que eu deveria herdar para dar continuidade as leis éticas, morais e religiosas da família. Uma herança filogenética, onde o passado está presente dando continuidade ao ideal medíocre do homem adulto, herdado por gerações a fio numa abertura para o controle científico que não desiste de nos coagir, estando por tanto a quatro gerações ou mais na frente dos adultos. Pobres pais que herdaram suas heranças filogenéticas achando que estariam preservando um tesouro familiar, não perceberam o jogo cientifico que os aprisionaram numa crise loba de juízo juvenil onde o novo nunca existiu. Não quero dizer que a herança filogenética tenha que ser abolida em nome de um anarquismo promovedor de delinquência juvenil, mas uma transformação dos valores éticos, morais e religiosos numa adaptação ao novo e, consequentemente, a abertura para uma vida mais humana. Ah! O novo... O jovem pai que ao ver-se no espelho viu um falo e percebeu que sua existência era se enfiar em buracos e ditar leis, sendo um ser-para-o-outro numa continuidade da moral edipiana familiar, não sabendo ele, pobre coitado, que a verdadeira moral zomba da mora! O falo penetra então no filho como um juiz que dita à lei que proíbe o incesto numa formação ditadora da personalidade. No entanto, afirma-se ai uma identidade paterna superior a tudo e a todos agarrada a uma herança filogenética onde a lei no futuro se voltará para a proibição do filho se tornar homem numa oposição ao novo, visto que esse novo botará em risco sua identidade narcísica de homem-juiz-macho na qual foi constituída em cima de uma relação social-pessoal não humana. Pobres adolescentes vivem num passado-presente onde o futuro é agora devido às heranças filogenéticas imutáveis herdadas pelos seus pais impedindo ambos, pais e filhos, de perceberem o avanço tecnológico da ciência que personalizou os objetos e objetou os humanos num triunfo ao controle, provocando assim a busca desenfreada e sem escrúpulos pelos objetos e quem for pego roubando os objetos dos outros vai para uma instituição onde lá permanecem trancados sem nenhuma atividade que lhes faça se perceberem como o “novo” que tem muita coisa pra ensinar e aprender sobre o mundo. Sendo as instituições armadilhas do sistema de controle científico sobre o ser humano. Não que dizer aqui que a ciência positivista não é válida, mas sabemos da sua preocupação em objetar o ser humano para ter controle sobre a variável. O jovem espera da sociedade uma compreensão de um novo mundo onde as troca de ideias é fundamental para se equilibrar a humanidade tecnologicamente desumanizada. Ele quer mostrar suas potencialidades, mas o mundo adulto fecha as portas para isso obrigando-o a ser como o mundo quer que o adolescente seja – uma espécie de robô sem defeito de fabricação. Temos que olhar pra nós como a composição de um novo homem cujo filho é o pai que deve ir em frente sem olhar para trás numa visão profética do presente que constitui o futuro de um homem ideal.

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