domingo, 26 de fevereiro de 2017

CARNAVAL AFROCIBERDÉLICO

Em uma sociedade que se deve negar duas vezes (a si mesmo e o outro) para poder afirmar-se, saber que existem quatro dias onde a afirmação é permitida e, mais ainda, celebrada, é de se esperar com entusiasmo sua chegada. Mas não basta saber que existem quatro dias e coisa e tal, isso todo mundo sabe e tem os que se negam tanto que chegam a odiar o dia da afirmação. Pura falta de senso de humor, de afirmação, comunhão, partilha. Partilha de seus bens mais valiosos, falta de carnaval no coração. É preciso entregar-se a experiência Carnaval e atingir outro estágio da realidade social: a afirmação. Afirmação do amor, da beleza... Beleza de afirmar sabe-se lá o quê, mas o importante é afirmar. Mulher, homem, criança, todos afirmando, amando, contagiando o mundo numa odisseia transcendental afrodisíaca. Fica a experiência afirmada no corpo como tatuagem imaginária. E o amor nunca mais morre. E de carnaval em carnaval vamos ficando cada vez mais bonitos, contagiando a sociedade com o vírus da afirmação e do amor. E o mundo explode de alegria numa epidemia global fabricada na antena fincada na lama do meu quintal Manguetown. Afrodisia das flores que perfuma a fedentina pernambucana coronelista que insiste em jogar merda no ventilador de uma cidade esquecida às baratas. Mas a afrociberdelia carnavalesca dos nossos batuques e ritmos soltos, sem falar das flores, invade agora as terras dos coronéis com a força do cangaço de Lampião, meu cangaceiro encantado. E assim aguardamos mais um carnaval, entusiasmados com o que nos aguardam na próxima experiência transcendental afrodisíaca das flores de Pernambuco.

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