terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

EM_BUSCA_DOS_ANÉIS_PERDIDOS: quem ou o que é o objeto de estudo da Psicologia?

Quarto ano de Psicologia e até então a dúvida sobre o que e quem se estava estudando não passava pela minha cabeça nem pela dos meus colegas de classe. Subitamente, na cadeira de Psicologia Organizacional I, foi trazido pela professora tal indagação, pegando todo mundo de calças curtas. Bem, nem todo mundo assim! Porque quando fui ao livro de Codo et all (1998): "Indivíduo, Trabalho e Sofrimento", onde ele questiona se diante de tudo que está acontecendo no mundo ainda é possível falar-se em Psicologia, deparei-me com investigações que eu também estava fazendo a respeito da subjetividade numa perspectiva do psicólogo como educador, achando assim a resposta para o problema do objeto da Psicologia.

Entrei fundo, caverna adentro, com minha lanterninha, na problemática: quem é o objeto de estudo da Psicologia? Foi aí que me deparei com o que o homem havia criado através das teorias psicológicas: um monstro completamente dissecado pelas lâminas das limitações impostas como conduta soberana para viver com os seus semelhantes. E o mais interessante disto tudo é que eu só não fui destruído por ele porque percebi que eu era um monstro também, devido à minha qualidade humana.

A Psicologia estuda, dentre outros fenômenos, os limites da capacidade humana. Mas, o que vem mesmo a ser esse conceito "humano". Bem, pelo que entendo, humano é a capacidade que o homem tem de refletir sobre suas ações através de um desdobramento sobre sua própria essência orgânica. Isso é o que o difere dos outros animais: a capacidade de se desdobrar ou de refletir sobre si mesmo e adquirir, a partir dai, uma categoria sobre si e as coisas. Essa capacidade é ilimitada, visto que as possibilidades de dobras são infinitas.

Para não se perder nessa infinidade de dobras e acabar igual a um animal, o homem começa a estabelecer condutas de comportamentos como forma de impor limites ao ilimitado e conseqüentemente facilitar o convívio com outros seres humanos, através de estruturas fixas de um eu metafísico, ou seja, que recebe ordens de uma lei onipresente. Depois essa estrutura de metafísica passa a ser física com o advento da ciência que agora fixava nossa conduta humana a partir de objetos estáticos criados pelo poderda Física Clássica.

Então, quando o homem cria as máquinas industriais, rompe-se a fronteira do humano com a máquina, uma vez que agora tudo se voltará para a produção de um trabalho em série dirigido para a construção de bens materiais, impondo condutas completamente automatizadas. O eu, a partir de então, se desestrutura, causando um pânico que não mais o estabelece na diferença do que é estranho a si no outro. Tudo se iguala num automatismo comum a todos.

Com o advento da indústria, logo se tornou necessário uma teoria que estudasse o homem no seu convívio social, para que fosse possível um avanço eficaz da sociedade. Começa então o estudo das limitações humanas, no sentido de testar sua capacidade de adaptação ao automatismo - o fim do sujeito!
Os teóricos das ciências humanas estudam o seu objeto sem perceber que estão estudando a si mesmos. Dissecam-se até perceberem-se completamente empacotados num envelope de carne representado por um quantum de energia em frente ao espelho e a imagem revela-se monstruosa, pronta para destruí-los. O sujeito ressurge agora como o conjunto dessa dissecação, onde parâmetro nenhum conseguirá agarrá-lo, enquadrá-lo, empacotá-lo é a morte das teorias Psicológicas na era das possibilidades, porque o monstro tem tecnologia interna suficiente fundida em seu corpo, pronto para superar as limitações do mundo mecânico.


"Só as mães são felizes" disse Cazuza, que provavelmente se referia à capacidade orgânica de parir num mundo frio e desumanizado. Pois agora só os monstros são felizes. O que fizeram com a gente!? O que deixamos que fizessem com a gente!? E agora, o que somos, ou melhor, quem somos? Humanos; demasiadamente humanos é o que somos. E não temos tempo para pedirmos desculpas, a morte chegou. Não há mais nenhum homem em pé, muito menos chão. "Me dê a sua mão!".

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