sábado, 11 de fevereiro de 2017

IMORTALIDADE_DA_ALMA


Nesse exato momento, diante do sol do sertão, nas margens do rio São Francisco e no segundo andar do apartamento, sinto-me marcado pela vida através das minhas memórias. O surfe é sensação constante desde que me conectei com o cosmos em 1997. Estar livre de qualquer desejo é a sensação que marca até hoje, fazendo com que o meu desenvolvimento psicomotor, adquirido com o surfe, tenha sua eficácia no que diz respeito a minha sanidade. De repente os desejos batem a sua porta e você fica completamente maravilhado e se entrega. É como se o universo em que vivemos se movesse pelo desejo e ao identificar uma máquina desejante celibatária, ou seja, desconectada do desejo, envia modelos de realização padrão com a qual a máquina sonha, não resistindo ao desejo, ao universo, a paixão. Então o amor é abstração. A condição do amor direcionada a uma única pessoa é mito. Não existe distinção entre amor sexual e amor fraternal ou paternal. O desejo perpassa essas representações, daí o tabu do incesto, causando uma confusão imensa nas máquinas desejantes. O amor está na abstração do orgasmo, quando a máquina desejante é desliga de seu desejo, morre e nasce novamente, religando-se ao desejo nas sensações dos órgãos, agora renovados. De quantas mortes você precisa para perceber o amor? De morte em morte chega-se ao amor como abstração das coisas no universo. Viagem cósmica que transcende todos os seres humanos e seu universo, uma possibilidade infinita de conhecimento. E o mais incrível é que os universos estão contidos em nosso próprio corpo. O corpo é o meio entre a terra e as estrelas, sendo o sexo sua ignição, sua conexão entre corpo e mente.  Penso que estamos muito distantes desse sentimento. São milênios de anos focados na concepção errada acerca da morte. As pessoas que detém o saber exercem-no para obter poder sobre as outras pessoas e nesse sentido privam as suas mortes como forma de impedir que elas sintam a vida na morte e acordem para a maravilha da vida e assim a percepção da importância da memória para a constituição do universo em que vivemos. Esse amor que insiste em passar todo o instante pela minha carne é sensação eterna de morte. Sensação eterna de imortalidade. Sentimento de beatitude que me da vontade de gritar, calar.

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