terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

NARCISO INVERTIDO

O homem é o reflexo da natureza e a natureza é o reflexo do homem. Quando homem e natureza se viram, morreram de amor um pelo o outro. Esse é o verdadeiro amor e não esse amor projetado pelas inúmeras máquinas de fazer cinema e televisão, um amor que nunca se encontra e quando ele acontece tem sempre uma catástrofe. O amor parece fadado ao nada, à ilusão... Shakespeare grande vilão, nos lançou um feitiço romanesco que é amplamente usado como simulacro sugador de almas. “Romeu e Julieta”: catástrofe ambiental total. Uma ilusão de que o amor existe e é impossível tocá-lo. A inversão do amor: separação radical do homem com a natureza. Ficamos todos sendo alimentados por essa energia enganadora, quando na verdade o amor está ao nosso lado (a natureza) e não conseguimos enxergá-lo. A dicotomia natureza/cultura não existe como realidade e sim como virtualidade, uma simulação. Um holograma construído a partir dos mitos. Tudo bem que os mitos sirvam para nos contar sobre coisas sagradas e mágicas que existem entre o homem e a natureza, mas daí invertê-los como forma de usar seu significado ao contrário é magia negra pura. Ora, quando se investe no contrário daquilo que liberta ficamos presos, vulneráveis ao medo que se cria quando achamos que tudo está separado, onde o Amor só existe como simulação. O mito de Narciso que deveria significar a união do homem com a natureza está colocado de cabeça pra baixo quando nos transmite a falsa separação do homem com a natureza, matando o amor e a inteligência. O positivismo científico tem como objetivo aprisionarmos num mundo holográfico sem saída onde tudo está de cabeça pra baixo. Narciso não morre e não se transforma em nada diferente do que o era, ele simplesmente, quando se vê refletido no lago, morre de amor pela natureza refletida nele. Morre de amor por si na união com a natureza e a natureza também morre de amor pelo homem fazendo surgir no lago uma flor. Não existe perigo algum no encontro do homem com a natureza. E nesse casamento do homem com ela a inteligência e amor são celebrados, não existindo morte apenas vida. Isso tudo é tão verdade que está estampado em nossa cultura globalizada, a dicotomia natureza ≠ cultura. Dessa forma invertida de ser vemo-nos fadados ao medo de tudo, medo do verdadeiro amor ao ponto de nos conformarmos com a ilusão niilista lançada por Shakespeare. “Viva Tânato” – dizem os psicanalistas através dos seus silogismos invertidos.

Nenhum comentário: