sábado, 11 de março de 2017

112 ANOS DE PSICANÁLISE E O MUNDO CONTINUA CADA VEZ PIOR

Por que ao invés de melhorarmos culturalmente após 100 anos de psicanálise estamos cada vês mais dilacerados? Que tipo de operação está sendo aplicada em nossa cultura para que ela avance materialmente e regrida espiritualmente? Se a falta é estruturante e a completude não existe, qual o sentido da vida então? Nessa perspectiva faltante só me resta o niilismo/consumismo ou espiritualismo/fanatismo! É o que vemos todos os dias nos noticiários. Sempre os extremos e nunca o caminho do meio.

A psicanálise vigia as fronteiras do possível, impedindo que as pessoas ultrapassem a fronteira mística do gozo pleno e encontrem a completude. Ela nega com fé inabalável a experiência de completude implícita no gozo místico. Sabemos que o livro “Mal Estar na Civilização” e “Futuro de uma Ilusão”, foram escritos para fechar as portas que um psicanalista chamado Wilhelm Reich ousou abrir e ultrapassar a fronteira entre Religião e Ciência.

O supereu não se encontra apenas na minha cabeça, ele encontra-se na arquitetura institucional da nossa cultura. Todas as instituições estão impregnadas do poder do supereu operando a castração como estrutura. Toda a nossa educação é baseada no sacrossanto dogma psicanalítico da falta que por sua vez advêm da religião.

Psicanálise é Religião ou Ciência? Psicanálise é Religião e é Ciência e a sua força está exatamente aí onde ninguém consegue enxergar e ela própria faz questão de velar – o caminho do meio. A psicanálise não é castrada é castradora! A castração opera o mecanismo de separação do homem com a natureza, separa a mente do corpo. Um homem castrado é um homem negado duas vezes (a si mesmo e o outro) cuja afirmação se dará na obediência as instituições culturais: o Outro.

Para nós esquizoanalistas, não existe castração e o gozo místico da união do homem com a natureza é a nossa meta. Ultrapassar as fronteiras do proibido vigiadas pelo dogma psicanalítico do supereu institucional. A psicanálise tem relação direta com o Poder e está na base de todas as ciências ditas humanas: Direito, Publicidade, Educação, Jornalismo, Cinema, Teatro, etc. Não por que a castração é fundante, mas por que a castração é um mecanismo de poder operante.

O pai da Publicidade Edward Barnays, é nada mais nada menos que o sobrinho do pai da Psicanálise. Qual a relação da Psicanálise com a Publicidade? Poder! Mas a Psicanálise que se aplica na clínica é diferente da aplicada em outras áreas... Claro que não. E se for, perde todo o sentido da clínica uma vez que o social, através da Psicanálise aplicada em outras áreas,
desfaz todo o trabalho clínico de “conscientização” homem-cultura.

Somos globais não por que a castração é a nossa “essência”, mas por que ela é a nossa subjugação. Quantas culturas foram e estão sendo devastadas por essa operação capitalista global “fundante”? Se a castração fosse fundante o mundo não estaria em ruínas. Ou então, como o próprio Freud disse: a humanidade é doente e a cura é o futuro de uma ilusão. Devemos nos conformar com a miséria neurótica e cada um que se cure aqui e ali com seu analista eterno, pois a doença é infinita e estruturante. Nossa individualidade doentia tem um estilo, encontre o seu na Psicanálise de Joel Birman.

A falta é estruturante do Poder e bugiganga alguma completará alguém. Não somos originais constituídos de um “objeto completo” faltante. Somos artificiais, inventados pela engrenagem das máquinas modernas panópticas, fabricados por “objetos parciais” constituintes da extensão do nosso corpo.

Somos quimeras e a observação desses “objetos parciais” que nos cercam como bugigangas, constituem nossa personalidade. Nosso objetivo é organizar nossa personalidade através dos “objetos parciais” no intuito de deixarmos de ser quimeras e atingirmos uma perfeição diante dos mistérios da natureza e seus códigos de máquinas, abrindo uma nova perspectiva de se viver em sociedade cuja natureza esquizofrênica o capitalismo nos possibilitou.


Somos máquinas desejantes e não máquinas faltantes. A máquina que deseja cria. A máquina que falta copia. O desejo é a nossa alegria enquanto a falta é o nosso mal estar em civilização. Então pra que serve a Psicanálise se nossa estrutura é a doença? Serve para propagar o Poder e a doença, nada mais.

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