segunda-feira, 20 de março de 2017

A UNIDADE DUAL OU O REAL É POSSÍVEL

Somos uma unidade que viramos dualidade ao adquirirmos a consciência sobre nós mesmo. A razão torna-se o duplo diante do espelho, onde não tem diferença entre quem está dentro e quem está fora. Outro ser humano unidade-dual, torna-se a trindade que dará forma a comunicação do pensamento através da linguagem inserindo a realidade como possível para quem está se comunicando. O real é possível tal qual a linguagem. Numa comunicação há sempre três pessoas possibilitando a realidade: eu, meu duplo e a pessoa com quem converso. Por sua vez a pessoa que conversa comigo também participa de uma trindade: ela, seu duplo e eu. No total são quatro pessoas conversando, mas na perspectiva de cada uma delas existem apenas três uma vez que nenhuma ver o duplo da outra apenas o seu. A maioria das pessoas não enxerga seu duplo quando estão se comunicando, mas é ele quem vai buscar e traz as referencias elementares arquivadas na memória que norteia a conversa possibilitando a comunicação. Isso parece muito com o teatro ou o princípio da arte de atuar, criar, sonhar acordado, atravessar o espelho. Nessa unidade dual de ser, ansiamos em calar nosso duplo rumo à paz da unidade perdida. O sono tem essa função de remeter-nos a origem da unidade cujo sonho torna-se uma fábrica de realizações que estão além de qualquer trindade possível da realidade material. De volta à origem da unidade tudo é possível por haver uma conexão com o todo do infinito cósmico. Tal conexão onírica da unidade possibilita realizações infinitas na teia cósmica de comunicação universal. Eis a importância de dormir e sonhar: é preciso sempre voltar às origens como forma de abastecer as energias para continuarmos a aventura dual de realização na matéria encarnada. A espiritualidade não deriva da matéria. É a matéria que deriva da espiritualidade. Então sonhar é como morrer uma vez que estamos completamente ausentes da matéria. Isso explica a insônia como sintoma clínico atual. Ninguém quer morrer. Pior, ninguém quer ver que já estamos todos mortos, por isso o medo de dormir. As próprias engrenagens do sistema capitalista atual não permitem a experiência de morte, apesar de nos matarem todos os dias através das suas simulações midiáticas da realidade. Insistimos em manter essa realidade simulada que para sustentá-la é preciso de muito dinheiro. Eis onde o dinheiro toma uma proporção mágica de infinitas possibilidades de realização do real. A unidade dual necessita do Outro como trindade para realizar o real. A trindade dá forma aos pensamentos que passam a constituir o real. Isso torna a percepção do mundo como mágico, repleto de possibilidades, onde os sonhos tornam-se realidade. Uma fonte de conexão para poder apanhar as estrelas na Terra. Mas a máquina dual tem a possibilidade de se conectar com o seu duplo e tornar-se unidade novamente, atravessando a grande cortina de projeção da realidade metalinguística, atingindo uma percepção da realidade que está além dos jogos de palavras e sua alienação. O real é possível!

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